quinta-feira, 5 de março de 2009

Capítulo 4 - A Bíblia nas Montanhas

O Miguel fechou os livros e pôs de lado os lápis e os papéis.
- Já acabei os trabalhos de casa – anunciou ele. – Hoje vamos falar sobre o quê, Mãe?
A Mãe sentou-se ao seu lado.
- Vamos falar das pessoas que permaneceram fiéis a Jesus apesar de todas as coisas que estavam a acontecer na igreja cristã. Porque, apesar de todas as mudanças, ainda existiam alguns grupos de pessoas que se lembravam das verdades simples que Jesus lhes tinha ensinado. Elas ensinavam estas verdades às crianças. Esses grupos de pessoas, que guardavam o Sábado, estavam espalhados pela Europa, África Central e Arménia.
A Mãe mostrou ao Miguel onde ficam esses lugares num grande Mapa do Mundo.
- Um destes grupos ficou conhecido como os Valdenses, porque eles seguram os ensinamentos de um homem chamado Pedro Valdo. Os Valdenses foram perseguidos por outros cristãos, por isso, foram viver para as montanhas, lá no cimo dos Alpes. Eles não ficavam apenas escondidos nas montanhas, apesar de tudo; eram pessoas muito ocupadas. Foram das primeiras pessoas na Europa a terem Bíblias escritas na sua própria língua. Eles chamavam a si mesmos “Igreja na Montanha”.
- Que bom – disse o Miguel . Até que enfim aparecem as Bíblias! Assim as pessoas podiam estudar e conhecer a verdade.
- Sim, meu filho. Estudar a Bíblia foi muito importante para os Valdenses. Eles ajudavam as suas crianças a decorarem longas partes do Velho e do Novo Testamento. Muitas crianças memorizaram os livros de Mateus e João, inteiros, e alguns dos livros escritos pelo apóstolo Paulo. Quando elas tinham idade suficiente, copiavam partes da Bíblia para partilhar com outros.
Os Valdenses traduziram a Bíblia para a língua local de forma que todas as pessoas pudessem ler e compreender o que ela dizia. Os líderes da igreja não gostavam que as pessoas tivessem Bíblias que pudessem estudar por elas próprias. Isso levava-as a fazer perguntas e, às vezes, a pôr em causa os ensinamentos dos líderes. Por isso, as crianças Valdenses tinham de esconder as suas Bíblias. Também tinham de ter muito cuidado com o que diziam e com quem conversavam.
Estas famílias trabalhavam nas montanhas. Cultivavam vegetais e criavam ovelhas. Teciam a lã das ovelhas e faziam queijo a partir do seu leite. Algumas destas coisas eram vendidas nas vilas. Enquanto iam de casa em casa a vender as suas mercadorias, tinham a oportunidade de falar sobre a Bíblia com pessoas interessadas. Nas suas roupas, levavam alguns papéis onde tinham escrito a Bíblia. Inclusivamente, as mulheres faziam as roupas com grandes bainhas e com bolsos secretos para poderem esconder pequenas porções da Bíblia. Os Valdenses andavam sempre dois a dois, quer fossem vendedores ou estudantes. Eles espalharam a Palavra de Deus como fermento, e, desta forma, os verdadeiros ensinos da Bíblia tornaram-se conhecidos de muitas pessoas em aldeias e escolas, líderes não conseguiam descobrir de onde vinham esses conhecimentos.
- Humm – disse o Miguel. – Ainda bem que não sou uma criança valdense; senão, eu teria de memorizar demasiados textos bíblicos.
A Mãe sorriu.
- Na verdade, filho, memorizar a bíblia é uma óptima ideia. Ajuda a exercitar a tua mente e, ainda por cima, não sabes se vais ter sempre a tua Bíblia à mão. Pode chegar o tempo em que vais ficar muito contente por teres memorizado os versos áureos da Escola Sabatina – e também outras passagens da bíblia.
- É, acho que sim – concordou o Miguel.
- E pensa nisso – disse a Mãe – como seria se tu e o teu irmão fossem os únicos na vossa escola a terem Bíblias?
- Eu iria sentir-me muito sozinho – disse o Miguel.
- Talvez - concordou a Mãe – Mas Deus utilizou crianças como tu e o teu irmão Dani para mudar escolas inteiras. E se tu permitires, Ele também poderá usar-te para fazer trabalhos muito importantes. Hoje em dia, Deus precisa de meninos como tu, da mesma forma como precisou no tempo dos Valdenses.
- Eu nunca tinha pensado nisso dessa forma – disso o Miguel. – Eu sempre pensei que Deus tem todos os adultos de que precisa e que Ele só precisaria de mim mais tarde.
- Isso não é verdade, querido, Deus precisa de ti agora.
O Miguel sorriu. – Ainda bem! De qualquer maneira, eu não tinha mesmo vontade de esperar até ser mais velho – disse o Miguel.